Reajuste, que pode ser divulgado nesta semana, atingirá seis milhões de usuários novos, com contratos a partir de 1999
Os usuários de planos de saúde podem preparar o bolso para encarar o reajuste das suas mensalidades, previsto para ocorrer até o fim desta semana. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) deve divulgar, no máximo até o princípio de maio, a correção dos planos individuais, contratados a partir de janeiro de 1999.
Seis milhões de usuários vão pagar mais pelos planos chamados de novos. As empresas do setor estão esperando um reajuste de, no mínimo, 10%. No ano passado, a ANS fixou um aumento de 11,69%. "Este ano, andei conversando com os empresários do setor e eles mostram que tiveram uma correção média de custos de 10%", ressalta Arlindo de Almeida, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Medicina de Grupo (Abramge).
A ANS só vai bater o martelo sobre o reajuste depois do aval do Ministério da Fazenda. A correção é aplicada não só sobre os planos novos como sobre aqueles firmados antes de 1999, mas que não fixam nos contratos um índice específico. No País, existem 36 milhões de usuários de planos.
O gerente comercial Abigail Dias Farias, 49 anos, já está se preparando para encarar o reajuste. Ele desembolsa mensalmente R$ 700 para garantir cobertura para toda a família – ele, a esposa e quatro filhos. "Não tem outro jeito. Tem de pagar porque a saúde pública está falida", resigna-se.
Expectativa
A Abramge mostra que os custos do setor, a cada ano, aumentam porque a população está com uma expectativa de vida maior e o mercado precisa absorver ainda novos medicamentos e novas tecnologias. O problema, diz Almeida, é que muitas empresas não estão preparadas para ter reserva financeira e encarar este aumento de custos.
O resultado é uma crise que atinge principalmente as pequenas empresas do setor. Segundo a Abramge, nos últimos sete anos, o setor perdeu seis milhões de usuários. A entidade, em conjunto com outras da área médica e hospitalar, defende a criação de planos mais populares. A proposta já foi encaminhada para o Ministério da Saúde, mas a discussão não avança.
No ano passado, a ANS cancelou 141 planos que não estavam cumprindo a legislação. No total, foram suspensos 144 planos, mas três deles conseguiram se adequar. Este ano, segundo o presidente da Abramge, este número pode dobrar.
Almeida garante que há espaço para as empresas do setor crescerem. Segundo dados da Abramge, de um universo de R$ 88 bilhões injetados na saúde no País, R$ 38 bilhões se referem ao faturamento dos planos.