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PRÓTESE DE RECONSTRUÇÃO TOTAL DA ATM SÓ SERÁ ACESSÍVEL À POPULAÇÃO CARENTE COM APOIO DO SUS
01/04/2009

A análise é de especialistas reunidos hoje (31 de março) na reunião científica “100a Prótese de Reconstrução Total de ATM no Brasil”, a primeira conferência do gênero transmitida via internet no País, que contou com 600 acessos no Brasil, Estados Unidos, países latino-americanos e europeus.

Enquanto o Sistema Único de Saúde (SUS) não apoiar os implantes para a reconstrução total da articulação que liga o crânio à mandíbula (a ATM), a população de baixa renda com anquilose – doença que gera a perda ou redução da mobilidade articular em pessoas, cujas mães ficaram subnutridas na gravidez – não terá acesso a este tipo de tratamento. A opinião é de especialistas reunidos hoje (31 de março) no encontro científico “100a Prótese de Reconstrução Total da ATM”, realizado em São Paulo e assistido pela internet por mais de 600 especialistas do Brasil, Estados Unidos, países latino-americanos e europeus.
Ao falar, comer, mastigar e deglutir, uma pessoa movimenta a ATM (Articulação Têmporo-Manibular) 700 mil vezes por ano. Se há um mau funcionamento (disfunção) desta articulação, a pessoa tem dores de cabeça freqüentes (que podem se irradiar para o pescoço e a coluna) ou apresentar estalos e cliques quando abre ou fecha a boca. No Brasil estima-se que seis milhões de pessoas tenham algum tipo de disfunção da ATM. Nos Estados Unidos, este contingente chega a 20 milhões.
“Em famílias de baixa renda, muitas pessoas também têm anquilose porque, na infância, caíram e bateram o queixo em algum lugar e não passaram por nenhum atendimento”, ponderou o cirurgião Luiz Fernando Lobo, diretor da Sociedade Brasileira e da Associação Latino-Americana de Cirurgia Buco-Maxilo-Facial, que comandou este encontro, o primeiro do gênero transmitido pela internet no Brasil. O idealizador da técnica, o norte-americano Peter Quinn participou do evento. Quinn é professor-doutor da Universidade da Pensilvânia e presidente da Sociedade Americana de Cirurgiões da ATM.  Ainda esta semana, o site www.intermedic.com.br vai inserir um condensado da transmissão em sua página.

DOENÇAS QUE DEGENERAM A  ATM

            O cirurgião Otávio Cintra, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Bucomaxilofacial, revelou que a maioria das pessoas com necessidade da prótese de reconstrução total da ATM são de baixa renda. “Quando fiz residência em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial na Santa Casa de São Paulo, vi que havia mais pessoas com esta doenças, do que nos hospitais particulares”, revela.
            Hoje apenas os hospitais públicos do Estado de  São Paulo e da Prefeitura de São Paulo realizam o implante de prótese para reconstrução da ATM gratuitamente. A medida foi adotada há 18 meses. De lá para cá, foram feitos cerca de 20 implantes.
            “Chegamos à conclusão que o valor da prótese comparado aos outros tratamentos é vantajoso”, avaliou o diretor administrativo de Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos,  Mércio Kuramochi. “Pelos tratamentos anteriores, feitos à base de enxertos, teríamos de mais gastos porque eles implicavam em várias cirurgias, internações, medicamentos, exames,” disse. Na opinião dele, se o SUS e os convênios médicos apoiassem a prótese, a produção em escala reduziria o preço do produto. “Há 10 anos, a prótese de quadril custava U$ 5 mil. Hoje custa entre R$ 5 mil a R$ 6 mil”, ponderou.
Em 2002, a babá Edna Matheus tornou-se a primeira brasileira a receber o implante de reconstrução total da ATM. Ao ter um tumor benigno retirado do lado direito do rosto, ela foi submetida a um enxerto e obrigada a passar por várias cirurgias de raspagem. Com o implante da prótese, aboliu o termo “cirurgia de raspagem” de seu cotidiano. A recuperação foi muito rápida e os pontos da cirurgia ficaram imperceptíveis. Aos 46 anos, comemora: “Ninguém diz que uso prótese e tenho 11 parafusos no crânio! Levo uma vida normal: não sinto mais dores, meu rosto está prefeito e como de tudo!”
Além da anquilose, as lesões graves provocadas por artitre reumatoide demandam o implante da prótese. Foi o que ocorreu com a comerciária Evelise Demartini, residente em Cerquilho, na região de Sorocaba, no interior de São Paulo. Durante anos, foi a vários médicos para descobrir a origem de sua dor de cabeça. “ “Eu acordava às 3 horas da manhã com dor de cabeça. Tomava três analgésicos por dia, tinha gastrite e dores de estômago terríveis. Pensava que tinha problemas de fígado”, revela.
Portadora de artrite reumatoide, só descobriu que suas ATMs haviam-se se desgastados por causa da doença.Em setembro de 2008, Evelise submeteu-se ao implante de duas próteses – uma de cada lado do rosto. “Agora não sinto mais dores. Parei de tomar analgésicos e a gastrite desapareceu”, afirma.

VIOLÊNCIA E PROBLEMAS DE OCLUSÃO

A prótese também é indicada para as pessoas que tiveram a mandíbula destruída por acidentes (com arma de fogo ou acidentes de trânsito, especialmente com motocicleta) e agressões (pancadas muito fortes) necessitam do implante da prótese.
Quem tem disfunção da ATM precisa procurar um cirurgião bucomaxilofacial para analisar as possíveis soluções. Em 80% dos casos, o problema se resolve com um tratamento clínico de recuperação postural – exercícios de fisioterapia, fonoterapia e, eventualmente, o uso de placa de mordida. Os outros 20% necessitam de cirurgia e tratamento de recuperação postural. Do total de cirurgias, somente 2%  dos casos são solucionados com a reconstrução total da ATM com prótese.

A disfunção da ATM pode ser provocada por problemas de oclusão, como a falta de dentes, o bruxismo (hábito involuntário de ranger os dentes)  e  a mordida cruzada (quando um ou mais dentes da arcada superior não recobrem os dentes da inferior). O mesmo ocorre com pessoas que sofreram alterações do esqueleto ligadas ao desenvolvimento do corpo como aquelas que resultam em queixos muito projetados para fora (prognata) ou para dentro (micrognata).       

Informações para a imprensa com Nora Ferreira – Lu Fernandes Escritório de Comunicação – 11 3814-4600

Nora Ferreira
Lu Fernandes Escritório de Comunicação - 11 3814-4600


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