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Saúde não se pode comprar. Bom atendimento médico, sim
17/08/2006

Por motivos de maior rentabilidade e praticidade, a maioria das operadoras, seguradoras e corretoras de saúde foca sua atuação nos planos corporativos.
As corretagens da Isenção Corretora, por exemplo, são voltadas para o mercado empresarial. “Nosso objetivo são as empresas – e a demanda pelo beneficio saúde é de empresas de variados portes. Para nós, todo cliente é cliente. Mas temos clientes grandes, empresas como Sony, Mitsubishi e Siemens, que refletem nosso nicho e objetivo”, conta Roberto Medeiros.
A Golden Cross tem grande participação no mercado corporativo, que hoje representa 60% do total de sua carteira. “Os planos de saúde são oferecidos para todos os tipos e tamanhos de empresas, através dos planos corporativos (empresas grandes) e MPE (médias e pequenas empresas)”, diz Cláudio Brabo. Outro destaque da operadora na área de planos empresariais está no pós-venda: são oferecidos gerentes para atender exclusivamente o cliente e relatórios gerenciais, onde são informados ao gestor do contrato dados como a média de utilização do plano por funcionários.
A Omint fechou 2005 com 63.280 vidas contratadas, sendo que os planos coletivos somaram 47,9 mil. No portfólio figuram clientes como Credicard, Natura, Microsoft, Cisco, Sun Microsystens, Liberty Seguros, SAP. “No entanto, o segmento de planos individuais, abandonado por muitos players no ano passado, também tem sido foco da Omint”, conta Alberto Matos.
Novidades em produtos e serviços
Demonstrando o interesse nos planos individuais, para este segmento a Omint lançou no ano passado um novo plano – o Acess –, que dá todos os benefícios dos planos mais sofisticados da Omint, sem a inclusão do Hospital Israelita Albert Einstein.
A Amil continua a investir no Plano Next, lançado pela operadora em 2004, após um período de dois anos de desenvolvimento e investimentos da ordem de R$ 1 milhão, e que já está presente no Rio de Janeiro e em São Paulo, de acordo com Norberto Birman.
A Isenção Corretora de Seguros aguarda ansiosa pela aprovação judicial de novo produto, em parceria com uma operadora, que Roberto Medeiros prefere não revelar o nome. Trata-se de um plano de saúde individual para aposentados. “As pessoas, quando se aposentam, têm muita dificuldade em fazer plano individual”, diz Medeiros.
Segundo explicação de Cláudio Brabo, da Golden Cross, “inovação e diversificação dos planos são permitidas graças à inclusão de novos benefícios opcionais, não exigidos pela Lei dos Planos de Saúde (Lei 9656/98)”. Neste segmento criaram alguns benefícios, como o Golden Med (assistência médica domiciliar), o Programa Golden de Descontos em Medicamentos, Assistência 24 Horas, Assistência Empresarial (para as pequenas e médias empresas, nos planos MPE) e o Aconselhamento Médico Telefônico (AMT).
Planos odontológicos completam
Além das operadoras especializadas, hoje são poucas as operadoras ou seguradoras de saúde que não criaram um plano odontológico próprio para oferecer a seus atuais ou futuros clientes. É raro alguém contratar um plano individual odontológico, por exemplo, sem que esteja casado com um plano de saúde.
As operadoras e os corretores têm um forte argumento: “Grande parte das patologias têm origem bucal, então a comercialização de planos odontológicos incentiva a redução de sinistros dos planos de saúde”, diz Roberto Medeiros. “Temos apostado nisso, sempre que apresentamos o seguro saúde ligamos com o odontológico”, afirma.
Para Norberto Birman, da Amil, o corretor já incorporou ao seu discurso o plano odontológico. “Este ano demos uma roupagem nova ao nosso plano odontológico, fizemos uma adequação no produto e na precificação, tornando-o um dos mais competitivos do mercado”, conta Birman.
A Omint está investindo bastante nesta área: fechou o ano passado com 16.286 planos odontológicos na carteira, 24% a mais que em 2004. “É a única operadora que tem uma clínica própria que reúne todas as especialidades da odontologia, onde uma pessoa pode tirar o dia para realizar todos os tratamentos bucais no mesmo lugar - além de ter uma ampla rede de consultórios dentários”, diz Alberto Matos, referindo-se à clínica odontológica que está entre as mais modernas da América Latina e atende cerca de 1,1 mil pacientes por mês.
Qualidade para atrair clientes
De acordo com os entrevistados, o mercado de saúde suplementar é basicamente de trocas. Geralmente, os crescimentos registrados são vegetativos e não reais. “A situação econômica pela qual o País passa faz com que tenhamos apenas um crescimento orgânico ou vegetativo: casais têm filhos e acabam fazendo inclusões dentro das apólices”, diz Peter Rosemberg, diretor da AGF Saúde. O número de pessoas que não têm planos de saúde e passa a ter, individuais, é pequeno.
“Por outro lado, tem um fator interessante e preocupante que é o desemprego estrutural – se analisar determinada empresa, exceto se ela fizer uma ampliação ou construir uma nova unidade, mas se mantiver dentro do tamanho dela atual, acabará trocando seus funcionários, mas contratando sempre menos do que ela está demitindo (uso de tecnologias, por exemplo), e essas vagas acabam não voltando. São estatísticas”, lamenta Rosemberg. “Isso acaba contribuindo para a redução da carteira na empresa que trabalha com planos de saúde”, explica.
Dessa forma, as empresas que querem ter novos segurados, precisam manter a qualidade de seus produtos e serviços para atrair os clientes da concorrência. “Para mim, há uma grande oportunidade de conseguir atrair a clientela do mercado para as operadoras que otimizarem ações de medicina preventiva e os programas de qualidade de vida”, diz Roberto Medeiros, da Isenção Corretora.
Realmente, gestão de saúde, medicina preventiva e qualidade de vida foram as palavras mais citadas como atuais e futuros investimentos das operadoras e seguradoras de saúde, neste panorama sobre o setor de saúde suplementar.

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