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Lucros recordes e desequilíbrio do sistema
18/09/2006

Levantamento publicado pelo consultor Luiz Roberto Castiglione com base em números da Susep - Superintendência de Seguros Privados, aponta que os seguros de saúde  voltaram a apresentar resultados positivos em seus balanços com lucros que indicam uma formidável recuperação financeira.

Depois de um prejuízo de R$ 458 milhões de janeiro a junho do ano passado, as seguradoras tiveram um lucro de R$ 106 milhões este ano, de acordo com a Susep a Agencia Nacional de Saúde - ANS.

Em recente matéria  publicada no jornal O Globo, o consultor avalia que o resultado obtido pelas seguradoras que administram planos de saúde deveu-se à política de redução de gastos e aumento nos preços das apólices. De 2005 para 2006, a sinistralidade caiu cinco pontos percentuais. O maior fator de contribuição para o lucro foi o término das vendas de apólices para pessoas físicas nas grandes seguradoras.

Somados os lucros das grandes operadoras, Bradesco, Sul América e Porto Seguro, o valor chega a R$ 1,2 bilhão. Na posição das seguradoras, aparentemente o mercado encontrou o seu ponto de equilíbrio. Equilíbrio este que não contempla os demais atores do sistema de saúde suplementar, como os prestadores de serviços em medicina, por exemplo. 

Na realidade, o dado publicado esconde uma terrível realidade: a sinistralidade não diminuiu em função de uma melhora na saúde da população, mas sim, em decorrência do achatamento dos preços praticados. Para a redução de custos, feita de forma unilateral pelas operadoras, contribuíram as de glosas sem qualquer justificativa nas faturas apresentadas, prática freqüente de algumas operadoras, punindo de forma injusta os prestadores de serviços em geral.

Já tratamos neste espaço da vulnerável relação existente entre as operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas e demais prestadores de serviços conveniados. A falta de contratos com regras claras, previsão de reajustes de tabelas, cronogramas de pagamento com datas acertadas, impedimentos de glosas administrativas sem qualquer justificativa técnica, práticas infelizmente comuns em nosso meio, precisam ser revistas de imediato.

Nada melhor que o retorno da normalidade financeira das operadoras de planos de saúde para que o setor possa retomar um relacionamento recomendável e aceitável como ocorre nos demais segmentos da atividade econômica.

Está na hora dos prestadores de serviços também serem considerados como um importante ator nesse cenário de desequilíbrio em que se encontra a saúde suplementar em nosso país.

As boas e inovadoras  práticas de medicina com a correta incorporação dos avanços tecnológicos  somente continuarão a ocorrer no Brasil se os prestadores de serviços forem valorizados e respeitados técnica e economicamente pelos agentes contratantes de serviços.


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