Notícia

Skip Navigation LinksHome > Simpro > Notícia

O SOS das Santas Casas
13/02/2006

As Santas Casas da Misericórdia são quase 300 no Brasil. Uma organização que vem do tempo da colônia, passou pelo Reino-Unido, Império e sobrevive até hoje, graças ao idealismo de figuras admiráveis.
Durante séculos, o patrimônio destas instituições cresceu devido às doações, muitas das vezes em testamento, de antigos membros da colônia portuguesa. Assim, conseguiam cumprir a missão de atender aos necessitados, fazendo da caridade um instrumento de ação cristã. Geralmente, estavam (e ainda estão) ligadas a ordens religiosas de irmãs de caridade.
A Santa Casa do Rio, fundada por Padre José de Anchieta, é a segunda mais antiga do Brasil. Possui um leque de atividades que vai desde o nascimento a morte do cidadão, vez que possui hospitais, orfanatos, asilos e administra os cemitérios municipais. Enfrenta, entretanto, muitas dificuldades neste momento. Seu hospital geral, complexo arquitetônico que pertence ao que de melhor existe em nosso patrimônio histórico, abriga enfermarias dirigidas por grandes nomes de nossa medicina, sendo exemplos Ivo Pitanguy, Paulo Niemeyer Filho, Sergio Novis, Augusto Paulino e o dedicado José Galvão Alves - todos membros da Academia Nacional de Medicina.

Não se concebe que o poder público, desde o município a União, ignore esta rede de instituições que mantém uma tradição de bem atender aos excluídos socialmente. Dahas Zarur, o seu atual provedor, dedicou mais de meio século de sua vida a instituição, por exemplo. E tem entre seus antecessores grandes nomes de nossa vida médica, jurídica e até militar.

A Santa Casa de Belo Horizonte está saindo de uma longa e dolorosa crise. Deve esta recuperação à dedicação integral de Saulo Coelho, que trocou a vida pública para abraçar a causa da instituição, que teve muitos anos como seu provedor o notável estadista José Maria Alkmin, grande parlamentar, ministro de JK e vice-presidente da República de Castelo Branco. Saulo é herdeiro do espírito público de seu pai, o governador Osanan Coelho, e de seu tio, Eduardo Levindo Coelho, médico que tanto vez pelos mineiros mais humildes e que, com grande habilidade, integrou diferentes segmentos da sociedade no esforço para salvar instituição tão relevante na vida da cidade.

Apesar do esforço pessoal de muitos, a iniciativa de um programa que contemple estas instituições e melhore o atendimento médico da população deve partir do Ministério da Saúde. No caso do atendimento oncológico, por exemplo, o Instituto Nacional do Câncer, no Rio, recebe em seu hospital e no ambulatório mais da metade de pacientes oriundos do interior. O que seria evitado se existissem instituições em condições de promover o atendimento cirúrgico nessas cidades. A Santa Casa de Barra Mansa, por exemplo, que tem um bom serviço oncológico, poderia, com um pouco de ajuda, realizar operações e atendimentos que ajudariam a desafogar o INCA na capital do estado. Levar atendimento ao interior é um passo importante para diminuir a pressão sofrida pela rede pública das capitais. E as santas casas poderiam ser um bom ponto de partida.

Na verdade, a queda da qualidade no trato da coisa pública entre nós pode ser sentida na desconsideração com que instituições com tradição sejam reconhecidas. O mesmo ocorre na Educação, quando o ensino privado poderia suprir grandes lacunas, como, aliás, ocorre em Brasília, onde o Governo Roriz completa as vagas existentes, atendendo a empresários, a população e a integração social. Ajudar as santas casas é uma sugestão que deveria ser considerada.


Fonte: