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ANS mostra que o cenário sombrio no atendimento continua
18/09/2006

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) acaba de divulgar os resultados de uma análise recente das operadoras privadas de saúde no país e, novamente, eles não são nada animadores. Setenta e quatro porcento das operadoras analisadas receberam nota baixa da Agência pelos serviços prestados a seus associados.
Em uma escala de 0 a 1 (zero é o valor pior possível e 1, o melhor), a pesquisa mostrou que de um total de 2.014 empresas, somente 26% conseguiram atingir um índice superior a 0,5; 19% tiveram desempenho inferior a esse índice e, acredite, 55% receberam nota zero porque não chegaram nem a prestar informações consistentes à ANS.
Fausto Pereira dos Santos, diretor-presidente da Agência, explica que o principal objetivo do estudo foi disponibilizar para a população mais um item de valor que garantisse a escolha do melhor plano de saúde. Segundo Santos, a Agência "quer trazer mais informações ao consumidor, que hoje basicamente avalia as operadoras apenas pelo marketing e pelo preço.” ·
Em seu estudo, a Agência classificou as operadoras de planos médico-hospitalares ou odontológicos em oito categorias, para evitar a comparação entre empresas com perfis diferenciados, além de considerar o porte de cada uma delas para evitar que empresas pequenas fossem comparadas às grandes. Essa classificação envolveu desde empresas específicas de sindicatos ou funcionários de empresas até cooperativas ou seguros de saúde de instituições com fins lucrativos de acesso livre a qualquer consumidor.
Por ser a primeira vez que a ANS divulga esses dados, estabelecendo esses parâmetros, não foi possível comparar o desempenho das operadoras neste ano com anos anteriores, embora Pereira dos Santos acredite ter ocorrido uma pequena melhora do setor quando os dados são comparados a 2004. Neste ano, um relatório da Agência divulgou apenas dados gerais dos maiores setores. Ainda segundo o executivo da agência, foi observada uma melhora na qualidade das informações fornecidas à ANS na pesquisa atual, que também mostrou uma melhora na saúde financeira das empresas do setor.
Em nota oficial, a ANS explicou como foi realizada a pesquisa e quais pontos foram considerados para definir o ranking de qualidade entre as operadoras participantes: "para chegar ao cálculo de um índice que avalia cada operadora, foram considerados 41 indicadores de quatro áreas: qualidade na atenção à saúde; situação econômica e financeira; estrutura e operação da empresa; e grau de satisfação do beneficiário. As notas foram divididas em quatro categorias: abaixo de 0,25; de 0,25 a 0,50; de 0,50 a 0,75; e acima de 0,75. No cálculo da nota geral das 906 empresas avaliadas (ou seja, excluindo as 1.108 operadoras que não deram dados consistentes), a média geral do setor médico-hospitalar foi de 0,551, enquanto a média do setor de empresas de planos odontológicos foi de 0,506. As 1.108 operadoras que não prestaram informações podem ser multadas, terem que assinar um termo de conduta, sofrerem intervenção e, em caso em que for constatada incapacidade para operar, até fechar.”
É importante lembrar que na elaboração de seu índice, a ANS deu mais peso aos indicadores que avaliaram a capacidade da operadora de planos de saúde de agir de maneira preventiva, levando em conta as ações básicas de atenção à saúde capazes de prevenir ou detectar várias doenças em seu estágio inicial.
Para Santos, as empresas que obtiveram nota zero são motivo de preocupação: "se eu estivesse vinculado a uma operadora que resiste ao processo regulatório da ANS ou com nota zero por dar informações inconsistentes, estaria certamente preocupado. Se a empresa não consegue processar seus próprios dados, como organiza a assistência?"
A maioria das empresas mais conhecidas e de maior porte no setor de assistência médica recebeu notas que as colocam na faixa de indicadores entre 0,5 e 0,75. Foi essa, por exemplo, a faixa de notas das empresas Bradesco Saúde, Porto Seguro Saúde, Sul América Seguro Saúde, Golden Cross e Amil. Nenhuma operadora recebeu a nota máxima da ANS, ou seja, 1,0.
Ainda segundo o diretor-presidente da Agência, esse resultado não significa que o consumidor não deva estar atento a eventuais falhas no atendimento: "o consumidor atendido por uma empresa colocada nos dois últimos quadrantes (de 0,50 a 0,75 e acima de 0,75) pode ter a segurança de que essas são empresas com mais capacidade e estrutura de operação que as demais, mas isso não significa que não haja problemas."

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