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Morte no pós-parto subiu 20%, aponta pesquisa
15/08/2006
Procedimento só é indicado em dificuldade no parto normal e risco para mãe ou bebê
A cesariana consiste em um corte no útero para a retirada do bebê. Recomendada somente em casos de dificuldades no parto normal — sofrimento do bebê ou pressão alta da mãe —, a cesárea aumenta os riscos de morte, lesões acidentais, reações à anestesia, infecções e hemorragias das pacientes, e de prematuridade e desconforto respiratório dos bebês.
Segundo estudo divulgado em maio e realizado em oito países da América Latina, entre eles o Brasil, as mortes pós-parto subiram 20% com o aumento do número de cesáreas. Um terço dos 97 mil partos realizados em 120 hospitais (públicos e privados) pesquisados foram cesáreas.
Segundo coordenador do programa de saúde da mulher da Prefeitura de Campinas, Fernando Brandão, o parto normal diminui o risco de prematuridade do bebê. Na passagem pelo canal vaginal, há um enxugamento dos pulmões do bebê, devido à compressão. Com isso, ele espele as secreções mais naturalmente. A criança tem uma respiração melhor nas primeiras horas de vida e menos problemas pulmonares.
Ações do governo
Para tentar reverter a alta taxa de cesáreas, o governo federal vai implementar em janeiro uma campanha nacional, com a participação de atrizes, voltada para a rede privada. As operadoras de saúde serão premiadas com a redução do número de cesáreas. Esse item corresponderá a 50% da avaliação geral.
A cada ano nascem no Brasil 2,5 milhões de crianças. Entre os partos, 88% ocorrem na rede pública e 12% na privada. A taxa de óbitos de mães é de 74,5 para cada 100 mil bebês nascidos vivos, enquanto a aceitável é de 20 para 100 mil.
Denúncia ao MP aponta existência de ‘indústria’
A rede Parto do Princípio ingressou com uma ação no Ministério Público Federal onde denuncia a “indústria do parto” no País. A denúncia foi entregue pessoalmente ao procurador Luiz Fernando Gaspar Costa na última semana de julho e foi acatada por ele, que determinou o início de uma investigação. As principais bandeiras da rede são a liberdade de escolha da mulher pelo parto que ela deseja e contra a banalização da cesariana. Uma das alternativas sugeridas — considerada segura e barata pela rede — é a maior participação de doulas ou parteiras durante o parto. Para isso, é necessária uma mudança na legislação para que a profissão de parteira seja regulamentada e legalizada. A parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez realizou uma palestra na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, na última segunda-feira, para uma platéia de médicos e ativistas do parto normal. “O parto é um ato quase milagroso e, por outro lado, muito comum”, disse. Entre os mais de 800 partos que já fez, 93% ocorreram na casa da parturiente.
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