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Hospital próprio reduz custos das operadoras
18/09/2006

Grande parte das operadoras de planos de saúde está, atualmente, intensificando seus investimentos em um objetivo comum: a operação de hospitais próprios. Com a pretensão de reduzir custos e obter maior controle sobre os atendimentos dos clientes, as empresas do setor estão executando, com maior ênfase, a chamada verticalização das operações. Ao responsabilizar-se pelo atendimento hospitalar, as operadoras conseguem eliminar a contratação de um serviço terceirizado, além de acompanhar, mais de perto, as reais necessidades de seus clientes, inclusive com investimentos em prontuários eletrônicos, nos quais constam os históricos médicos.
Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 2005 foi o ano que representou a retomada do número de operadoras de saúde proprietárias de hospitais. Em 2004, 488 operadoras tinham hospitais próprios, número que cresceu para 591, em 2005. O procedimento tem sido adotado, principalmente, em atendimentos mais complexos, cujos gastos das operadoras têm geralmente valores elevados.
Com interesse em hospitais próprios, a Blue Life serve como referência atual dessa tendência no segmento. No próximo dia 22, sexta-feira, a empresa inaugura seu segundo hospital com administração própria. Com aporte de R$ 48 milhões, o Hospital Santa Bárbara será um centro de atendimentos de alta complexidade.
“Com esse empreendimento, esperamos obter uma redução de 20% em nossas despesas hospitalares, até porque executaremos melhor o gerenciamento dos custos dos atendimentos. Tenho certeza de que essa é uma tendência do mercado, pois se o processo não for verticalizado, as operadoras não vão sobreviver”, afirma David Mazzoni, diretor da controladoria da Blue Life.
Além do Santa Bárbara, a Blue Life também é proprietária do Central Towers Hospital, voltado para atendimentos mais simples, o chamado day hospital (pronto-atendimento com internações que não superam um dia).
No entanto, o centro médico ainda não é administrado pela empresa, o que faz com que a inauguração de setembro seja bastante esperada.
Experiência
Apesar de a tendência ter ganho maior força nos últimos dois anos, há quem utilize a estratégia há mais tempo. É o caso da Samcil , operadora que atua no Brasil desde 1960 e criadora do primeiro plano de saúde do País. “Temos como filosofia verticalizar não só as operações, mas tudo o que está relacionado ao ato médico. Com este processo, neste ano, conseguimos reduzir nossos custos em 8% e fecharemos 2006 com R$ 27 milhões de lucro”, diz Mauro Bernacchio, diretor-geral da Samcil.
Atualmente, a rede possui 6 hospitais — um em cada região do estado e o mais recente, inaugurado na Grande São Paulo. A Samcil tem investido em hospitais próprios nos últimos anos; quatro de seus hospitais foram criados nos últimos seis anos.
Além disso, 25% da ocupação de seus hospitais é destinada a outras operadoras. Porém, como estratégia da empresa, não são atendidas concorrentes diretas, que trabalham com o mesmo público-alvo. Com crescimento médio de 20%, a previsão é que a Samcil inaugure quatro hospitais em 2007 e outro em 2008, dando prioridade para a região do ABC. “Nosso plano é ter um hospital em cada cidade paulista”, diz.
Assim como a Samcil, a DixAmico também investiu na verticalização há 30 anos, muito tempo antes do Grupo Amil ter feito sua aquisição, no início de 2003. Contudo, a rede só investiu significativamente a partir da negociação. “Em 2003, nós passamos a aplicar maior valor nas redes próprias, já que desde aquele momento até o final deste ano, investiremos R$ 45 milhões nos nossos dois hospitais. Apesar de assumirmos um alto risco com manutenção, priorizamos os investimentos em hospitais e ampliações. Além disso, acreditamos que, para atendimentos de grande gravidade, esse é um investimento bem aproveitado”, conta Ilza Fellows, diretora responsável pelas áreas hospitalares/clínicas da Rede Foccus , pertencente ao grupo DixAmico.
Para evitar a disputa com a concorrência, a DixAmico, apesar de atender outras operadoras em seus hospitais, prioriza as que não disputam a mesma fatia de seu mercado. Juntos, seus hospitais têm faturamento mensal de R$ 8,3 milhões, que, segundo Ilza, são suficientes para cobrir despesas e dar margem de lucro segura para a empresa.
Mesmo sendo uma cooperativa gerida por médicos, a Unimed Paulistana não se diferencia das demais operadoras interessadas em ter hospitais próprios. O Hospital Santa Helena proporcionou à cooperativa uma economia de mais de R$ 29 milhões, de 2005 para 2004, e a empresa apresentou faturamento de R$ 1,1 bilhão, em 2005.
“Com essa iniciativa, nós conseguimos evitar os terceiros e reduzir os custos. Em função da demanda dos nossos clientes e do nosso interesse na gestão administrativa, resolvemos criar o Santa Helena”, comenta Mário Santoro, diretor de Integração e Atualização Médica da Unimed Paulistana, rede que registrou um aumento de 320% em seu faturamento de 2000 a 2005.
Tendência acirra competição com grandes hospitais
Mesmo com a grande quantidade de empresas de saúde investindo em hospitais próprios, o setor não tem uma opinião predominante sobre o assunto.
Para Arlindo de Almeida, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), “ainda restam dúvidas sobre a suposta tendência do segmento, já que pode ser algo passageiro, como houve com outros setores. É incompreensível que os custos sejam tão mais baixos para as operadoras, a não ser em casos de alta complexidade”.
No entanto, para ele, o grande problema a ser enfrentado é o fato de que a área hospitalar não é o foco das operadoras, que estão tentando disputar mercado com hospitais de atuação consolidada, como Sírio-Libanês e Albert Einstein .
Apesar do investimento na aquisição de novas unidades hospitalares, foi anunciado, na última semana, o leilão judicial de um hospital inacabado, avaliado em mais de R$ 17 milhões, cuja propriedade era da Unimed de São Paulo , cooperativa distinta da Unimed Paulistana . O fato indica que não são todas as empresas do setor que estão conseguindo efetivar a nova estratégia.

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