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A teoria do equilíbrio e a saúde suplementar
28/08/2006
"Há somente duas formas de viver sua vida. Uma é pensando que milagres não existem. A outra é pensando que tudo isso é um milagre." Albert Einstein
Temos todos a consciência de que os serviços de saúde são um bem de consumo público como qualquer outro. A diferença é que eles são um bem de consumo público que não podem ser regulados unicamente pelas "leis de mercado", não devendo desta forma existir apenas o imperativo econômico norteando as ações geradoras de políticas de saúde, sejam elas públicas ou privadas.
Isto é tão verdadeiro que se você fizer um seguro de automóvel em 3 ou 4 seguradoras e seu carro for furtado, você somente receberá o valor segurado de uma única seguradora. O único bem que você pode fazer quantos seguros quiser e sua perda será paga integral e simultaneamente por todas as seguradoras contratadas é a vida. Portanto, se a vida não tem prêço, admite-se gastar o que for necessário para mantê-la.
Essa constatação gera um paradoxo: aparentemente a vida tem um valor ilimitado mas o custo de mantê-la íntegra tem custos crescentes e freqüentemente as fontes de financiamento para esses gastos tem recursos limitados.Foi refletindo sobre este paradoxo e tendo em vista as diversas variáveis que o compõem, que pensamos na grande contribuição que John Nash - matemático, professor e Prêmio Nobel de Economia cuja vida foi retratada no filme "Uma Mente Brilhante", grande sucesso de bilheteria e ganhador do Oscar - nos ofereceu ao formular as idéias originais que mais tarde, fizeram avançar as denominadas "Teoria dos Jogos Estratégicos".
Como defendeu Nash em sua teoria, nos ambientes de pouca competitividade ou oligopolizados, os resultados que cada segmento/empresa obtém dependem não só de sua decisão mas também das decisões dos demais participantes, e se somente um segmento estiver ganhando, no final todos acabam perdendo.
Trazendo essas experiências para o mundo corporativo da saúde privada suplementar, verificamos que com a criação da Agência Nacional de Saúde poderia se buscar esse "equilíbrio de Nash" nas relações entre os diversos "players" desse jogo utilizando as probabilidades matemáticas propostas por Nash. Poderíamos assim definir com mais clareza os riscos da "pior escolha" e buscarmos continuamente um fator regulador e moderador entre os usuários, prestadores de serviços e operadores de planos de saúde.
A teoria de Nash comprovou que é possível desenvolver uma matriz econômica em que se encontra uma solução estável: é o ponto de equilíbrio. Ele comprovou com sua tese que se os agentes atuarem buscando exclusivamente seu próprio interesse, o resultado será sempre indesejável para todos.
Claro que esse jogo somente mudaria se os participantes percebessem vantagens em modificá-lo. Não adiantaria apenas um cooperar se ninguém mais o fizesse; mas, como pela Teoria de Nash é possível demonstrar os riscos tanto para cada um como para o conjunto - e ninguém gosta do caos - a tendência é de que a maioria dos participantes acabe cooperando, embora Steven Levitt tenha afirmado em seu livro Freakconomics que "a moralidade é a forma como gostaríamos que o mundo funcionasse, porém ele funciona de acordo com a economia".
Apenas como exercício de retórica, o que fazer então numa condição em que hipoteticamente se identificasse uma relação fraudulenta envolvendo todos os participantes do segmento saúde - usuários, prestadores de serviços e operadoras de planos de saúde?
É óbvio que para se encontrar o equilíbrio de Nash seria necessário quebrar esse ciclo de traições. Os participantes teriam de iniciar um novo jogo pensando em seu interesse pessoal sem deixar de considerar o interesse coletivo. É aparentemente óbvio também que esse ciclo de traições não seria quebrado espontaneamente. Alguns "estímulos", como os propostos por Steven Levitt, teriam de ser introduzidos.
Poderíamos, portanto, iniciar esse "novo jogo" no sistema de saúde com algumas sugestões, a saber:
- Introdução de cartões inteligentes (smart cards) para os pacientes, evitando-se a transferência e utilização indevida da titularidade
- Contratos com regras claras entre compradores (planos de saúde) e prestadores de serviços;
- Proibição de cortes no faturamento dos prestadores de serviços (glosas) sem uma notificação prévia por parte das operadoras de planos de saúde e criação de uma junta de arbitragem pela ANS para os casos de divergências;
- Encaminhamento obrigatório aos conselhos de Medicina pelas operadoras de planos de saúde de todas as suspeitas de fraudes realizadas contra as operadoras, valorizando o bom conceito da maioria esmagadora dos médicos e demais prestadores de sercviços em saúde que praticam a medicina de forma correta e ética.
A demonstração matemática das probabilidades da manutenção do atual sistema nos levar ao fracasso gerencial, utilizando-se para isso a Teoria dos Jogos e do Equilíbrio de Nash pode ser um caminho e uma saída para nossos desafiadores problemas.
Fonte:
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