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Como reduzir os gastos com a saúde dos funcionários
10/02/2006

Os gastos com saúde representam hoje a segunda maior despesa das organizações no Brasil, ficando atrás apenas da folha de pagamento. Interessadas em reduzir esses custos, muitas companhias estão começando a investir em programas de prevenção de doenças e de incentivo a hábitos saudáveis. Para isso, chegam a premiar em dinheiro quem cuida melhor da saúde. O objetivo é ter uma força de trabalho sadia para evitar mais despesas no futuro.
As operadoras de planos de saúde brasileiras atentas a essa realidade já estudam formas de contribuir nesta empreitada. Uma delas seria com a diminuição da co-participação dos funcionários que se tornarem adeptos a uma prática esportiva. "A utilização do subsídio pelas empresas como forma de colocar em prática suas iniciativas em prol da qualidade de vida entre os funcionários é algo que deve desembarcar aqui nos próximos anos", afirma Caio Soares, gerente de medicina preventiva e programas especiais da Omint, administradora de planos de saúde dirigidos à classe A. "Já existem companhias que planejam deixar de descontar do funcionário com doença crônica o valor pago no plano de saúde, se ele aderir a um programa de acompanhamento personalizado ".
Segundo Fábio Abreu, diretor executivo da AxisMed, que presta serviços a operadoras e empresas com planos de saúde próprios, o interesse das companhias em abolir a co-participação (contribuição dos empregados nos custos de saúdes empresariais) dos portadores de doenças crônicas que aderirem ao programa de monitoramento é crescente. "Eles são os que mais gastam e oferecem altos riscos", diz. "Também são os que mais relutam em cumprir as orientações médicas".
Todas essas mudanças na política das operadoras de saúde devem acompanhar uma tendência mundial de se tentar vincular a assistência médica ao comportamento saudável dos empregados. Uma prática polêmica comum nos Estados Unidos, por exemplo, tem sido o desconto sobre o valor pago nos planos de saúde para quem é magro. No fim do ano passado, duas operadoras americanas - a Fairview e a United Healthcare - causaram o maior alvoroço no mercado ao anunciarem que dariam bônus de U$ 100 aos clientes que cuidassem do peso.
No Brasil a importação de modelos como este ainda está distante. A política de descontos para quem cuida da saúde encontra fortes resistências, principalmente por esbarrar na legislação. "A Agência Nacional de Saúde não permite esse tipo de prática, comum às seguradoras de carro, que definem os preços de acordo com o perfil do motorista", ressalta Soares, da Omint. De acordo com ele, sua companhia já cogitou implantar o modelo no país, mas desistiu da idéia. Thais Blanco, consultora sênior de benefícios da Hewitt Associates, acredita que a adoção dessas práticas é uma questão de tempo. "Quando as empresas chegarem no limite, precisarão ter formas efetivas de cortar custos", afirma.
Hoje, segundo ela, algumas empresas já vêm caminhando para ações muito próximas à dos descontos. Quem usa muito o plano paga mais ou os pacientes com doenças crônicas têm de graça medicamentos e serviços de monitoramento. "Ao contrário do mercado americano, no Brasil não há uma cultura de punição para quem conta com todos os benefícios nas mãos e não os usufrui", ressalta. "O que seria bastante justo, já que a empresa banca os gastos e assume riscos".
O combate à falta de atividade física, que em muitos casos está associada a problemas de obesidade e outras doenças de alto risco, entretanto, está entrando para a lista de prioridades dos departamentos de recursos humanos das empresas do país. Enquanto não existe um acordo formal com as operadoras de saúde, muitas delas estão tratando a questão cada uma à sua maneira.
A obesidade hoje é um problema mundial que atinge mais de um bilhão de pessoas, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. E 38,6 milhões de brasileiros estão acima do peso, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para cuidar dessa questão internamente, o grupo Algar criou em 2002 o Programa de Desenvolvimento Individualizado da Saúde. Na tentativa de mudar o comportamento dos 220 executivos da holding, a empresa condicionou 20% do bônus oferecido no fim do ano à mudança de hábitos físicos e alimentares do alto escalão. Assim, quem não "malhasse", teria seu dinheiro extra comprometido. Não deu outra. Todos, sem exceção, aderiram à iniciativa e acabaram, por tabela, alcançando as metas traçadas. O sucesso do programa levou a empresa a não mais vincular os bônus à avaliação médica. No entanto, o grupo Algar optou por continuar incentivando o check-up e a prática regular de atividades físicas.

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