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Mudanças nas regras de glosas e auditorias reposicionam o RH
11/02/2026

Por Otavio Blain

As negativas de pagamento de procedimentos já em andamento, conhecidas como glosas, não são um tema novo na saúde suplementar, mas voltaram ao centro do debate regulatório. O Conselho Federal de Medicina (CFM) acompanha essa prática há anos, dada sua repercussão direta na assistência ao paciente e na relação entre operadoras, prestadores e empresas contratantes dos planos de saúde.

Recentemente, esse debate ganhou contornos mais claros com a edição da Resolução CFM nº 2.448/2025, que proíbe a glosa de procedimentos previamente autorizados e efetivamente realizados. A norma também estabelece que, em caso de divergência sobre diagnóstico, procedimento ou tratamento, a auditoria médica deve ocorrer de forma presencial, deixando de admitir exclusivamente auditorias remotas.

Embora a medida tenha entrado em vigor recentemente, seus efeitos já acendem um sinal de alerta para diferentes elos da cadeia da saúde suplementar. Para além de operadoras, clínicas e hospitais, o impacto é particularmente relevante para o Recursos Humanos das empresas, responsável pela gestão dos planos corporativos e, na prática, o primeiro ponto de contato dos colaboradores quando surgem dúvidas, negativas ou conflitos assistenciais.

Sempre que surgem impasses de natureza administrativa, cresce a insegurança por parte dos beneficiários dos planos de saúde. A auditoria médica é uma ferramenta essencial para avaliar se serviços e procedimentos estão em conformidade com normas vigentes, protocolos assistenciais, regulação e boas práticas hospitalares e é um dos pilares da gestão eficiente da saúde suplementar. No entanto, esse instrumento precisa, acima de tudo, proteger o paciente durante a internação, um momento de vulnerabilidade que exige cuidado, ética e transparência.

Nesse contexto, a auditoria médica deve assegurar que os direitos assistenciais sejam preservados ao longo de todo o atendimento, respeitando a ética profissional e garantindo clareza nas decisões. Mudanças como essa também reposicionam o papel do RH, que atua como comprador corporativo de planos de saúde e passa a lidar com maior complexidade técnica e regulatória na administração do benefício.

É importante destacar que essa não é uma discussão isolada. Outras alterações recentes, como aquelas relacionadas à validade e gestão de atestados médicos, também impactaram diretamente a rotina do Recursos Humanos, ampliando sua exposição a temas técnicos que extrapolam a gestão administrativa tradicional.

Os planos de saúde seguem sendo o principal benefício concedido pelas empresas e a cada mudança de regra, o RH é pressionado a oferecer respostas rápidas e soluções seguras aos colaboradores, muitas vezes sem dispor do aprofundamento técnico necessário, somando-se às inúmeras atribuições já inerentes à função.

Diante de um ambiente regulatório em constante transformação e de uma relação cada vez mais complexa entre operadoras, prestadores e empresas, o suporte técnico qualificado deixa de ser um diferencial e passa a representar uma camada de proteção. Decisões precipitadas ou mal-informadas podem gerar riscos assistenciais, jurídicos e financeiros relevantes.

A consultoria em gestão de saúde contribui para organizar processos internos, interpretar normas, acompanhar casos sensíveis, apoiar análises de negativas e oferecer orientação clara aos colaboradores. Esse apoio contribui para reduzir conflitos, prevenir passivos e garantir maior segurança jurídica e estabilidade na gestão do benefício, especialmente em momentos de mudança nas regras.

Fonte: Medicina S/A
https://medicinasa.com.br/glosas-rh-saude-suplementar/
 


Fonte: https://medicinasa.com.br/glosas-rh-saude-suplementar/