Simpósio foi realizado durante o Congresso Internacional de Câncer de Pele, promovido pela primeira vez no Brasil pela Skin Care Foundation
São Paulo, 03 de agosto - Um novo tratamento contra o melanoma avançado pré-tratado foi tema de um dos Simpósios realizados hoje (03/08), no Congresso Internacional de Câncer de Pele. Dr. José Getúlio Segalla, médico pesquisador, chefe do departamento de Oncologia do Hospital Amaral Carvalho de Jaú e presidente da Associação Brasileira de Registro de Câncer e Dr. José Augusto Rink Junior, titular do Departamento de Oncologia Clínica do Hospital A C Camargo e médico Oncologista Assistente do Hospital de Clínicas da UNICAMP, discutiram casos clínicos de pacientes com melanoma avançado. Os especialistas abordaram o tratamento com Ipilimumabe, com análise de casos em que pacientes apresentaram boas respostas ao tratamento ou tiveram um aumento da sobrevida. Também falaram sobre os casos que ilustram o manejo correto de eventuais situações adversas relacionadas à terapia. Ipilimumabe é um novo tratamento para casos de melanoma avançado (metastático ou inoperável) previamente tratado, cuja base de ação é a imunoterapia: o medicamento estimula o sistema imunológico do paciente, de forma que o próprio organismo combata o câncer.
“Por ser um medicamento imunológico, confere um importante avanço no tratamento do melanoma avançado. Oferece novos padrões de respostas e ganho significativo de sobrevida, ao passo que tem um perfil de efeitos colaterais bem conhecido e de fácil manejo” afirma Dr. Segalla. “O medicamento demonstrou aumentar significativamente a sobrevida de pacientes que estavam desenganados. Um de meus pacientes teve um ganho de sobrevida até o momento de 2 anos e está bem”, conclui.
Para o Dr. Rink, o Ipilimumabe ainda é uma boa opção para pacientes que não respondem a outros tratamentos. “Ficou comprovado que a medicação assegura uma boa taxa de resposta quando o tratamento de 1ª linha falha, como foi o caso de um dos meus pacientes. Com o Ipilimumabe o paciente já está há 15 meses sem evidência de avanço da doença”, complementa Dr. Rinck.
O melanoma geralmente tem cura quando é diagnosticado e tratado em sua fase inicial. No entanto, é uma das formas mais agressivas do câncer de pele, e em fase avançada leva a óbito cerca de 75% das pessoas diagnosticadas no período de um ano em todo o mundo. No Brasil, a maior taxa de incidência da doença encontra-se na região Sul, onde há maior número de pessoas com pele clara. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), em 2012 serão diagnosticados seis mil novos casos de melanoma no país.
Sobre o melanoma avançado
O melanoma é um tipo de câncer de pele caracterizado pelo crescimento não controlado de células produtoras de pigmentos (melanócitos). O estágio avançado da doença ocorre quando o câncer se espalha além da superfície da pele, podendo atingir nódulos linfáticos e outros órgãos, como pulmões, fígado e cérebro. A idade média do diagnóstico do melanoma é 57 anos e a idade média de óbito é 67 anos.
Sobre Ipilimumabe
O Ipilimumabe, chamado de Yervoy comercialmente, é um anticorpo monoclonal recombinante totalmente humano que bloqueia um antígeno do linfócito T citotóxico (CTLA-4), impedindo sua ligação a receptores das células apresentadoras de antígenos (CD80/86) – ligação esta que teria um efeito inibitório sobre a imunidade contra o tumor. Ao bloquear CTLA-4, o ipilimumabe potencializa a ativação da célula T, fazendo com que ela se prolifere e desencadeie as reações imunológicas que levarão à destruição das células do tumor.
O tratamento com Ipilimumabe consiste em uma dose (infusão) do medicamento a cada 3 semanas, por 12 semanas - totalizando 4 infusões ao longo de três meses Os efeitos colaterais, quando presentes, estão relacionados ao mecanismo de ação do medicamento, podendo ser reações inflamatórias – por exemplo, na pele (urticária) e no sistema gastrointestinal (como colite) .
O medicamento já foi aprovado pela Anvisa e a previsão é que o medicamento esteja disponível no mercado brasileiro em alguns meses.
Estudos clínicos
O ganho significativo de sobrevida foi constatado em um estudo internacional fase 3 realizado com 676 pacientes com melanoma avançado – isto é, inoperável ou metastático que já haviam recebido outros tratamentos para a doença. O estudo, publicado no New England Journal of Medicine, demonstrou que 46% dos pacientes tratados com Ipilimumabe estavam vivos após um ano de tratamento, comparados a 25% dos pacientes do grupo controle (que utilizaram a vacina gp100) durante este período. No segundo ano, a sobrevida com Ipilimumabe foi de 24% versus 14% para o grupo controle (gp100) - quase o dobro do benefício de sobrevida.
No Brasil, 15 pacientes participaram dos testes clínicos do Yervoy e 337 receberam o medicamento via Programa de Acesso Expandido.