A Samcil, operadora de planos de assistência médica, é outro exemplo interessante que começa em casa. Além de estimular o diagnóstico precoce de doenças e o monitoramento de pacientes portadores de casos complexos - diabetes, hipertensão e problemas de coração -, a empresa resolveu convencer seus funcionários a adotarem uma vida mais saudável com a prática de esportes. Para isso, aproveitou a tradicional Corrida de São Silvestre, convidando-os a participarem do evento. Além de oferecer acompanhamento médico, nutricionistas e fisioterapeutas, a companhia premiou com R$ 500 aqueles que completassem a prova.
Dos cerca de 200 profissionais que demonstraram interesse em participar da corrida, 54 passaram pelos exames de aptidão. Entre eles estava Maria Vanda Camelo de Sousa, 35 anos, analista de contas médicas. Fumante desde os 15 e sem praticar esportes há um bom tempo, ela viu na iniciativa a oportunidade de começar a se mexer e ainda ganhar um dinheirinho extra. Não só completou o percurso total da prova, como ficou em 1º lugar do grupo da Samcil na categoria feminina.
Com o saldo positivo da experiência, tomou gosto pela prática do esporte e passou a treinar para encarar novas competições. "Semana passada fui a uma corrida de 10 quilômetros no Parque do Ibirapuera e sempre estou de olho nas próximas para me inscrever", diz. Este ano, a Samcil elevou o prêmio para R$ 750 e espera atrair 150 funcionários. E Maria Vanda já conta as horas para participar novamente da São Silvestre. Além do dinheiro, está motivada pela chance de superar o tempo de percurso atingido, que foi de uma hora e 45 minutos. Como meta principal pretende parar de fumar. "Espero obter um rendimento melhor, já que o cigarro tira um pouco a nossa resistência", afirma
Incentivos financeiros também são a arma da BS Colway Pneus para estimular a prática de atividades físicas entre seus funcionários. Três vezes por semana, antes do o expediente, eles trocam máquinas e prensas por halteres, esteiras e bicicletas, aparelhos que fazem parte de uma academia montada especialmente pela empresa de Curitiba. Ao participar do programa de condicionamento físico, todos recebem um bônus, que varia de R$ 5 por sessão a R$ 10 para aqueles que não faltarem nenhum dia e apresentarem melhorias em suas condições físicas. Esta foi a forma encontrada para reduzir os afastamentos ocasionados por pequenas doenças ou lesões. Além disso, os funcionários recebem um dinheiro extra no salário mensal se fizerem de seis em seis meses consultas médicas de rotina.
Ações como essas acabam reduzindo o número de pacientes com doenças de risco, ocasionando a queda dos custos e abrindo caminho, inclusive, para uma possível negociação nos preços dos planos de saúde. Um estudo da Hewitt realizado com 137 empresas aponta que 75% delas têm programas de gerenciamento de alto risco.
Ser magro hoje em dia deixou de ser apenas uma questão estética. A preocupação com a saúde apesar de não ser fator decisivo no momento da contratação, pode contribuir de maneira positiva no currículo profissional. "Praticar um esporte conta pontos, ainda mais quando a empresa adota esse princípio como valor", afirma Paulo Pontes, diretor executivo da Michael Page, que atua na seleção e recolocação de executivos. "E nesse caso, se dois candidatos com as mesmas qualificações estiverem disputando uma vaga, certamente, o emprego será dele".
A obesidade, por exemplo, pode ser barreira em uma indústria que tenha o negócio ligado a beleza ou a saúde. Fernanda Campos, sócia diretora da Mariaca & Associates, empresa de seleção de profissionais, lembra de um processo de recrutamento em que uma empresa mexicana de suplementos alimentares estava em busca de um diretor para sua área comercial. Um grupo seleto de profissionais experientes e altamente qualificados foi escolhido para disputar a vaga, o que incluía um executivo que estava fora do peso. Mas exatamente por ser mais "gordinho", foi eliminado.
"Não podemos ignorar que isso pesou na decisão", observa. "E por ele ser a interface da organização com o mercado, precisava passar a imagem do produto". Na opinião de Fernanda, a qualidade de vida tão pregada nas corporações está ligada a estratégia de resultado. "Se os funcionários fazem uma atividade física é claro que terão um rendimento maior e melhor disposição", afirma. Não é à toa que hoje é comum a contratação de nutricionistas para palestras, a construção de academias internas, pistas para caminhada e quadras esportivas.