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Planos de Saúde: Custo cresce e setor perde 3% de rentabilidade
14/08/2006
Enquanto total de empresas caiu pela metade, número de beneficiários atingiu 36,2 milhões. Nos últimos três anos, o setor de planos de saúde perdeu 3% de rentabilidade devido ao aumento das despesas de 19,51% com custos médicos e crescimento das receitas em apenas 16,5%. Esses resultados endossam as constantes reclamações do setor, cuja sinistralidade (custo médico dividido pela receita) passou de 79,79% da receita em 2003, para 81,93% em 2005, segundo o Anuário de Custos de Planos de Saúde (ACPS 2006), da Strategy Consultoria e Assessoria.
Por outro lado, o número de beneficiários cresceu e o número de empresas encolheu. Dados da ANS mostram que, em 2000, 32,5 milhões de pessoas tinham planos de saúde; em dezembro de 2005, esse número chegou a 36,2 milhões de beneficiários. Em 2005, a ANS cancelou 1.227 registros de operadoras de planos de saúde. Isso represente um encolhimento de quase metade do setor, que hoje conta com cerca de 1,6 mil empresas - entre medicina de grupo, seguradora, cooperativas médicas e auto-gestão.
O que mais chama atenção é que 876 planos de saúde solicitaram o cancelamento de seu registro. A entidade ainda divulga que 163 registros foram cancelados por descumprimento legal, 69 por adequação legal, 50 por liquidação extrajudicial, 20 por incorporação e 49 por ausência de operação.
Segundo Raquel Marimon, consultora da Strategy, o número expressivo de empresas que saíram do mercado já era esperado. Desde 1998, esses planos lutam para se adaptar às várias mudanças promovidas pela lei de cobertura mínima da Agência Nacional de Saúde (ANS). Muitas não conseguiram. É só lembrar o caso da Interclínicas, Unimed São Paulo (incorporada pela Unimed Paulistana) e Unicor, além de várias empresas pequenas e independentes.
Almeida diz que as dificuldades ainda residem nas pequenas e médias pequenas (com até 150 mil beneficiários), "porque se trata de uma atividade de risco e estes planos não têm condições de custear procedimentos complexos, por exemplo".
Raquel discorda. Apesar das desvantagens das pequenas, é a profissionalização que vai determinar quais sobreviverão. "Hoje essas empresas têm muitos mecanismos para garantir o risco, como se associar a outro plano de saúde, ou trabalhar com uma seguradora". Da mesma forma, ela diz que é um mito que empresas com mais de 900 mil beneficiários tendem a quebrar. Fugindo de um modelo de gestão familiar esses planos de saúde buscam se adaptar aos novos tempos, com a abertura de capital, como é o caso da Medial.
O impacto da crise do setor, entretanto, é sentida principalmente pela população de baixa renda que não tem poder aquisitivo para comprar os planos no formato expandido. E, paralelamente, também não quer depender do SUS (Sistema Único de Saúde). "Até mesmo porque os gastos públicos com saúde ainda são pequenos quando comparados com outros mercados", diz Raquel. A pesquisa mostra que, em 2002, apenas 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional foi voltado para a saúde. "Na Europa, esse número foi de 6,56%".
Para reverter as dificuldades, as empresas do setor buscam criar alternativas, explica o dr. Arlindo de Almeida, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), que este mês completa 40 anos. E idéias não faltam: liberação do governo à livre concorrência das empresas (em vez do controle de reajuste de preços), subsídio ao serviço de saúde, redução de tributação aos produtos médicos, etc.
Enquanto a resposta do governo não chega, vale reestruturar a casa. Uma das saídas, foi abandonar as carteiras de planos de individuais, que têm o aumento de preços controlado.
Foco nas classes C e D
Na contramão, o que foi sinônimo de crise para uns, virou oportunidades para outros. Nasceram as empresas focadas em planos para classe C/D com tarifas reduzidas, em torno de R$ 50. "O consumidor classe C é um bom pagador. A inadimplência das empresas não passa de 8%", diz Raquel.
Almeida também acredita que a classe C é hoje uma das melhores oportunidades de crescimento do setor. "São mais de 40 milhões de consumidores preparados para entrar neste mercado, desde que as parcelas sejam adequadas à sua renda", diz.
No entanto, apesar do otimismo, parece que plano de saúde não está entre as principais preocupações desses consumidores. Uma empresa de saúde do Rio de Janeiro realizou uma pesquisa para identificar quais as prioridades da classe C. "Celulares, câmeras digitais e computadores estão entre os primeiros colocados", diz Raquel. "Plano de saúde não dá tangibilidade já que você compra para não usar."
Novas estratégias
Para garantir valores atrativos para os planos da classe C, a maioria das empresas resolveu entrar em outro mercado, o hospitalar. "Hoje o número de hospitais com planos de saúde, que foi moda na década de 80, vêm caindo." Por outro lado, os investimentos em rede própria nunca tomaram tanto a atenção das operadoras de saúde. "Mas rede própria é um processo que ainda gera muitas dúvidas e que deve ser revisto no futuro", acredita Almeida.
Outro instrumento para garantir a rentabilidade são os investimentos em medicina preventiva. "A prevenção virou instrumento de marketing de muitos planos de saúde", diz Raquel. "Mas, na prática, a maioria não sabe usá-lo com eficiência", afirma. A idéia seria identificar quais os fatores que atingem com maior intensidade os resultados financeiros como também as necessidades humanas.
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