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O mercado de Planos em destaque na revista Isto É Dinheiro (página 3 de 3)
09/02/2006

DINHEIRO - E as seguradoras que operam com saúde?
FONSECA - Consta, pela própria Agência Nacional de Saúde, que as seguradoras perderam muito dinheiro nesse ano de 2005. Que interesse elas têm de ficar perdendo dinheiro? Já já elas saem da área de saúde. Elas têm outros ramos de atuação e podem desprezar a saúde. O Banco Itaú fez isso anos atrás. Percebeu que o governo interferia muito em saúde e pulou fora do setor.
DINHEIRO - Por onde se começa a desmanchar esse nó?
FONSECA - Para esse mercado começar a entrar nos eixos, o primeiro passo é ter liberdade de preço. Competição de mercado. Teria de haver também um índice nacional de saúde, feito por uma entidade séria, com credibilidade, tipo Fundação Getúlio Vargas ou Fipe. E esse índice teria de ser regionalizado. Qualquer pessoa sabe que o custo da medicina em São Paulo é muito maior do que no Tocantins ou no Maranhão. Como é que os planos de saúde podem ser reajustados igualmente no Brasil inteiro?
DINHEIRO - O mercado era livre até 1998. A ANS surgiu em resposta ao desrespeito de direitos do consumidor.
FONSECA - Eu não tenho nada contra a Agência Nacional de Saúde. Pelo contrário, sou a favor dela. Ela veio no momento certo, colocar normas no mercado. Mas não devia entender que o plano de saúde é responsável por tudo. Para poder cobrir tudo o que eles exigem, os planos ficaram muito caros. Em vez de atingir maior massa, passaram a atingir menos gente.
DINHEIRO - Como assim?
FONSECA - O mercado de planos de saúde já devia cobrir hoje ao redor de 50 milhões de vidas. Mas está praticamente estagnado em 40 milhões de vidas. Ou seja, não está entrando mais gente no sistema. Se não está entrando mais gente no sistema, está havendo uma sobrecarga absurda no SUS (o sistema público de saúde). Plano de saúde complementar é uma empresa particular, na qual acionistas investiram seu capital com o objetivo de ter lucro. Nós não estamos na rua laçando cliente. Por mais que seja uma empresa de saúde, eu tenho que ter liberdade de administrar a minha empresa.
DINHEIRO - Se o setor é tão ruim, por que nenhuma empresa grande até agora desistiu e foi embora?
FONSECA - Porque não há alternativas. Como é que um plano desses grandes vai fechar? Ninguém compra a carteira dele. Eu faço a pergunta inversa. Por que nos últimos 10 anos não surgiu nenhum plano de saúde novo? A entrada de planos estrangeiros no Brasil está liberada. Todas as empresas estrangeiras que tentaram entrar no País na área de planos de saúde perderam rios de dinheiro e foram embora. As operadoras que estão conseguindo algum resultado são as que estão restringindo o atendimento só à rede deles e descredenciando serviços mais caros. Do contrário, hoje em dia, plano de saúde é o pior negócio do mundo.
DINHEIRO - A criação da ANS e o aperto sobre os planos são obra do então ministro da Saúde José Serra. Ele, afinal, é mocinho ou vilão da saúde brasileira?
FONSECA - O Serra é mocinho na área de saúde. As medidas que tomou para os aidéticos, toda essa parte, foram brilhantes. Ele só teve um pecado capital. Se você pegar toda a campanha do Serra para prefeito de São Paulo, nenhuma vez ele tocou no assunto plano de saúde. Porque ele sabe que essa é a grande falha. Ele sabe que, do jeito que está, nenhuma operadora de plano de saúde vai continuar existindo. Na parte de planos de saúde, ele é vilão.
DINHEIRO - E que tal a gestão petista dessa área?
FONSECA - Eles continuaram com o sistema implantado pelo governo anterior. Mas o problema é tão sério que o ministro da saúde teria que tomar uma decisão já. Porque mais um ano e vai ter muita operadora quebrando.

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