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Silvia Brandalise assume presidência da SIOP América Latina
25/10/2011

Com a proposta de diminuir a mortalidade por câncer infantil na América Latina, a oncologista brasileira Silvia Brandalise acaba de ser eleita presidente da Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica (SIOP) para a América Latina. O evento para a posse do novo cargo será amanhã, dia 26, em Auckland, Nova Zelândia.

A Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica (SIOP), com sede em Zurique, na Suíça, representa a maior sociedade científica voltada ao câncer da criança e do adolescente. A entidade engloba 1450 membros do mundo todo, incluindo médicos, enfermeiros, pesquisadores e outros profissionais de saúde. Funciona em íntima conexão com o maior grupo internacional de pais de crianças com câncer.

A presidência atual da SIOP é da doutora Gabriela Calaminus, com notoriedade reconhecida em tumores cerebrais de crianças e jovens. As eleições foram abertas com candidatos pré-selecionados pela SIOP, para a presidência regional em cada um dos cinco continentes. Para a América Latina escolheram três candidatos representados por Brasil, Argentina e Peru. A eleição foi feita por correio, por todos os sócios, através do curriculum vitae de cada candidato, além do resumo de seu plano de trabalho.

Na apuração dos votos revelou-se a doutora Silvia Brandalise escolhida como presidente Regional da América Latina. A doutora Silvia Brandalise se destaca na área da leucemia da criança, fundou e dirige a Sociedade Latino-Americana de Oncologia Pediátrica (Slaop), e foi membro fundador da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope) e outras entidades científicas voltadas à hematologia e oncologia pediátrica.

Pioneira no Brasil ao fundar o Centro Infantil Boldrini, primeiro hospital especializado em câncer pediátrico da América Latina, com completa infraestrutura para diagnóstico, tratamento multiprofissional quimioterápico, radioterápico, cirurgia, reabilitação, transplante de medula óssea e cuidados paliativos, além de ser Centro de Ensino e Pesquisa voltados para essas especialidades.

“Ser representante da América Latina significa assumir compromisso com a SIOP para a redução das taxas de mortalidade secundária ao câncer, nesta faixa etária, nos distintos países. Significa, também, incrementar os programas de diagnóstico precoce do câncer da criança, como também a implantação de uma rede de ensino e capacitação especializada, a distintos profissionais direta ou indiretamente relacionados ao câncer”, diz a doutora Silvia.

“Esses desafios começarão no Brasil, onde as taxas de mortalidade pediátrica (< 18 anos de idade) por regiões apresentam perfis bem distintos. No período de 1979 a 2005 as regiões Norte e Nordeste apresentaram um aumento significativo nas taxas de mortalidade e as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, declínio. Para essas duas últimas, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), do Ministério da Saúde e Sobope, publicados em 2008, a redução nas taxas de mortalidade foram significativas, o que pode explicar parte do discreto decréscimo no Brasil como um todo. Entretanto, nossos resultados de sobrevida ainda são comparáveis aos países do Leste Europeu.

Na coordenação do protocolo brasileiro de tratamento da leucemia linfoide aguda da criança, a doutora Silvia Brandalise pôde, em 2009, publicar em revista científica de impacto, Journal of Clinical Oncology, uma proposta brasileira de modificação da terapia deste tipo de leucemia, com excelentes resultados de sobrevida, menores taxas de efeitos colaterais (toxicidades) e maior aderência ao tratamento. Esse modelo está sendo objeto de novo estudo do Children's Oncology Group (COG).

De maneira inovadora no Brasil, o Serviço de Biologia Molecular do Centro Boldrini implantou há cerca de um ano a tecnologia da Doença Residual Mínima, pelo método do PCR em tempo Real, que permitirá ajustar a terapia para mais ou diminuí-la, dependendo da avaliação da resposta por este sofisticado teste laboratorial. Esses exames são utilizados indistintamente para todos os pacientes, gratuitamente. Curar com menor sequela e toxicidade é o objetivo.

Na chefia do serviço de hematologia e oncologia pediátrica da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, a doutora Silvia Brandalise encontra no mundo acadêmico e de pesquisa os ingredientes importantes para os resultados promissores desta nova tarefa: disseminar conhecimentos e novas tecnologias na área do câncer da criança e do adolescente não somente ao Brasil, mas em outros países da América do Sul e América Central.


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