Editorial da Revista Simpro Hospitalar

Edição nº 130

Em tempos de pandemia, as empresas têm adotado diferentes formas de trabalho, entre elas o home office, modelo esse que prevê um formato hibrido em que o profissional tem a oportunidade de trabalhar remotamente ou remotamente/presencialmente (em dias alternados). Embora não seja unanimidade, fato é que ao longo desses novos tempos, diversas empresas identificaram vantagens na adoção do novo modelo, o que de certa forma tem estimulado para que a situação antes emergencial e provisória, passe a ser vista por algumas instituições como tendência pós pandemia.

Evidente que com relação a este assunto, sempre haverá os casos em que os resultados observados serão melhores com as atividades exercidas presencialmente, como o inverso também, a depender inicialmente da estrutura de cada empresa, cultura interna, tipo de atividade, perfil de colaborador, localização, entre outros diversos fatores. Porém, empresas já traçam planos com meta de redução de despesas à partir da desocupação de escritórios alugados em grandes metrópoles, objetivando a migração do trabalho no escritório para o trabalho em casa, de forma permanente.

Há de se pensar que neste momento, temos regras que foram flexibilizadas temporariamente para permitir o trabalho diante de uma situação extraordinária, porém num futuro próximo, diversas questões necessitarão de análise, como quais são as condições mais adequadas para se exercer a atividade em home office, não se tratando apenas de equipamentos e infraestrutura, mas também gastos como eletricidade e internet; como será a questão de controle de jornada de trabalho e de horas extras; questões relacionadas a saúde ocupacional e acidentes de trabalho; direito ao vale refeição e transporte; entre outros quesitos.

Fato é que para avançarmos no modelo de forma segura, temos a necessidade imediata de adequação da legislação trabalhista para que empregados e empregadores tenham segurança na adoção do novo modelo – onde este couber. Caso contrário, a falta de especificidade da legislação vigente pode virar insegurança jurídica no futuro porque não há como prever quais serão as decisões da Justiça Trabalhista.